Versões digitais de clássicos analógicos

Ah, o progresso. Inevitável, assim como o dia que nasce sucede a noite escura. Você pode querer, desejar e até tentar evitar a aurora – mas a luz do sol vai acabar batendo no seu rosto.

Mas por que alguém tentaria parar o clarão do progresso? A resposta simples: saudosismo. Seres humanos são muito resistentes em aceitar novidades, e tendem a querer ficar com aquilo que já conhecem, da forma que já se habituaram. Até que se prove – ou melhor, que se acostume – com o novo.

No mundo dos jogos, havia fichas, cartas e tabuleiros, invariavelmente acompanhados de um livrinho de regras. E só. Em algum momento, geeks em garagens criaram computadores pessoais e, num piscar de olhos, surgiram os videogames. Não tardou até que algum arauto da sapiência decretasse a extinção iminente de peões e dados, apenas para ver seu vaticínio frustrado. Os jogos físicos sobreviveram, e ganharam um sobrenome: jogos de tabuleiro.

Não só games e jogos coexistem no mundo moderno, mas há crossovers de um com o outro. Longe de extinguir, as versões eletrônicas impulsionaram velhos clássicos. Hoje, o fã pode escolher se quer jogar ao vivo, com amigos, na sala de casa, ou ao vivo, sozinho, no sofá em frente a TV. Se sua escolha é a segunda opção, veja aqui alguns clássicos que saíram da mesa e foram para as telas.

O xadrez deve ter sido o primeiro a sair do tabuleiro e ganhar versão digital, talvez pela fama – injustificada – de ser jogo de nerd. As versões digitais certamente se aproveitam do poder da tecnologia da informação para oferecer vários extras aos jogadores, como arquivo de jogadas, partidas com ranqueamento e torneios online. Mas o nerdismo para aí. E muitos jovens aprenderam os movimentos das peças graças aos tutoriais digitais. O jogo de damas deve ter sido o segundo a cruzar a fronteira do virtual. As regras e os gráficos simples facilitaram a transposição. O gamão deve ter vindo em seguida, já que também tem um visual simples – apenas as regras são mais elaboradas. O Reversi, um jogo famoso de estratégia, também já pode ser instalado em computadores – ainda que com outro nome.

Entre jogos de peças, o dominó é um dos jogos virtuais mais presentes, com a vantagem de nunca se perder uma peça – fato tão recorrente quanto irritante.  Já o oriental Mah Jong ganhou inúmeras versões digitais, e há uma legião de adoradores que, muito provavelmente, não jogavam a versão física. Talvez sequer conhecessem o jogo. Não sabe quem inventou o Mah Jong, mas ele deveria agradecer à internet pela publicidade.

Já os jogos de cartas, podemos dividir em dois tipos: as paciências, amigas de momentos tediosos e parte integrante de sistemas operacionais; e o poker, queridinho da moda dos mais competitivos. E já que mencionamos jogos de cartas, há opções que compõem os  jogos de cassino, e que podem ser acessadas confortavelmente através de seu celular. A mais famosa talvez seja o BlackJack, que mistura raciocínio estratégico com uma pitadinha de sorte, mas o charmoso Bacará também é encontrado no feltro digital. E não esqueçamos das coloridas maquinhas de caça-níqueis. Não são jogos de carta, mas são divertidíssimas!

Alguns jogos que nasceram para versão física souberam migrar para a virtual com graça e elegância. É o caso do Uno, o clássico jogo de maldade com cartas, que oferece versões virtuais de vários tipos. Ou ainda o tradicionalíssimo Monopoly, o jogo de compra de propriedades que, na versão digital, consegue livrar os jogadores do fardo de ser o banqueiro.

E como crossover é uma via de mão dupla, há games que estão fazendo o caminho contrário. Títulos como Fall Out, Doom e Dark Souls ganharam versões em papel cartão. Porque jogar na tela é legal, mas às vezes a gente precisa reunir a turma, abrir três pacotes de fandangos, gelar uma fanta litro e deixar a tarde de sábado ir embora até virar noite. Porque ela, à noite, também chega. É inevitável, assim como o saudosismo.

FONTE: Blog SempreUpdate
(Acesse o website do autor da publicação para mais detalhes)