Trump proíbe negócios com TikTok e WeChat nos EUA. China promete retaliar

Presidente dos EUA, Donald Trump, em coletiva de imprensa em Osaka, no Japão, durante a cúpula do G20 de 2019 (Foto: Casa Branca / Shealah Craighead)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem, 6, decreto proibindo qualquer empresa local de fazer negócios com representantes dos aplicativos TikTok e WeChat no país dentro de 45 dias. Segundo ele, esses apps colocam a segurança e a economia do país em risco.

O governo chinês respondeu via ministro das relações exteriores. Conforme a agência estatal de notícias Xinhua, Wang Wenbin disse hoje, 7, que o decreto de Trump vai ter um efeito “bumerangue”. Também servirá para gerar insegurança nos mercados globais e afetará a imagem dos EUA.

“Exigimos que os EUA ouçam vozes racionais de dentro e de fora do país e corrija este erro, deixe de politizar questões meramente econômicas e pare de reprimir empresas relevantes a fim de criar um ambiente justo e não discriminatório para companhias operarem e investirem normalmente mundo afora”, disse Wenbin, conforme a agência Xinhua.

Também hoje, o TikTok soltou um comunicado em que rechaça as alegações. A empresa diz que passou o último ano conversando com o governo dos EUA a fim de solucionar problemas que lhes eram apontados. Afirma que o Executivo tentou impor regras que não foram aceitas em acordo extra-judicial e tentou interferir em negociações privadas – a Microsoft avisou na última semana que pretende comprar o Tik Tok até 15 de setembro.

O que diz Trump

Na carta dirigida ao parlamento norte-americano em que justifica o decreto, Trump diz que os apps capturam grandes quantidades de dados dos usuários. Esses dados, afirma sem qualquer prova, seriam acessados pelo Partido Comunista Chinês. Segundo o político, – que está em campanha para se reeleger -, os apps coletam a localização dos usuários, o que permitiria aos chineses saber onde se encontram funcionários do governo, elaborar dossiês para “fins de chantagem” e conduzir espionagem industrial.

Em suma, o presidente dos EUA diz que um app em que as pessoas publicam vídeos curtos dançando, contando piadas ou registrando momentos picarescos é uma ameaça à segurança e economia nacional. Não custa lembrar que empresas norte-americanas de tecnologia, como o Facebook, já foram enquadradas nos EUA, no Brasil e na Europa por mau uso do grande volume de dados pessoais que coletam. O TikTok vem apresentando crescimento de usuários americanos, que já somam 100 milhões. E sua empresa, a Byte Dance, já tem valor de mercado de cerca de US$ 100 bilhões.

Trump acusa ainda o Tik Tok de ser usado como instrumento de propaganda chinesa e de censurar usuários que tentam transmitir conteúdos que denunciem abusos cometidos pelo governo do país asiático.

“Para lidar com esta ameaça, o decreto proíbe, em 45 dias, qualquer transação na jurisdição dos Estados Unidos com a Byte Dance ou qualquer de suas subsidiárias”, escreve Trump na mensagem ao Congresso.

Sobre o WeChat, pertencente à gigante Tencent, traça os mesmos argumentos. O app tem 1 bilhão de usuários no mundo, e além de funcionar como rede social, é também importante meio de troca de mensagens e para realização de pagamentos digitais. Segundo Trump, o app caputara informações de chineses que visitam os EUA, além de censurar a circulação de conteúdos contrários aos interesses do governo chinês.

Empresa contesta

O decreto é um balde de água fria para a Microsoft, companhia norte-americana que vinha negociando a compra da Byte Dance. A empresa comunicou no dia 2 que previa concluir as negociações para arrematar os ativos até 15 de setembro. Até o momento, não se pronunciou sobre a decisão de Trump.

O Tik Tok alega que coleta dados que qualquer outro app para smartphones coleta. “Deixamos claro que nunca compartilhamos dados com o governo da China nem censuramos conteúdo a seu pedido”, afirma. A empresa diz que o algoritmo usado decidir quais vídeos exibirá aos usuários está disponível para análise em seu site: “algo que nenhuma outra rede social oferece”.

Por fim, o app afirma que a decisão dos EUA só faz minar a confiança mundial em que o país é lugar confiável para se fazer negócios. “Estabelece precedentes perigosos para os conceitos de liberdade de expressão e mercados abertos”.

O WeChat, até o fechamento deste texto, ainda não havia emitido posicionamento oficial.

O governo Trump está em uma aparente cruzada contra empresas surgidas na China que ameaçam domínios de companhias norte-americanas. Antes de proibir negócios com as redes sociais chinesas, já havia banido Huawei e ZTE. A primeira se tornou este ano a maior fabricante de smartphones do planeta, ultrapassando Samsung e Apple. Já era a maior fabricante de equipamentos de redes de telecomunicações. A segunda, também fabricante de equipamentos de infraestrutura, é a quarta maior do mundo, atrás de Huawei, Ericsson e Nokia.

FONTE: TeleSíntese
Aproveito a oportunidade para renovar meus protestos de respeito e consideração aos autores da publicação original.