Transfero Swiss tem operações distintas da Transfewise, afirma CFO

Apesar de os nomes sugerirem atividades semelhantes, as operações da Transfero Swiss não têm a ver com o modelo de negócios da Transferwise, acusada, no início do mês, de fraude fiscal pelo banco parceiro local. A distinção é de Carlos Russo, CFO da Transfero Swiss, esclarecendo que a Transfero Swiss lida com tecnologia de blockchain e criptoativos, e a Transferwise, com câmbio e remessas internacionais. A Transfero Swiss foi criada em 2017 como uma companhia internacional de soluções financeiras baseadas em tecnologia Blockchain, com sede no Crypto Valley, em Zug, Suíça, e no Rio de Janeiro.

“Estamos num movimento de internacionalização, abrindo uma operação na Argentina e com planos se entrar em outros países da América Latina. A ideia é tentar replicar o movimento bem-sucedido no Brasil de desenvolvimento de uma stablecoin, a BRZ, e serviços agregados a ela. Estamos atentos ainda ao movimento DeFi, de finanças descentralizadas, um assunto que vamos explorar muito em 2021”, sinaliza Russo.

Carlos Russo, CFO da Transfero Swiss

A origem da Transfero Swiss foi a startup brasileira Bit.One, criada em 2015 para oferecer gateway de pagamentos em bitcoin, permitindo que sites aceitassem pagamentos na criptomoeda. Em 2017, com novos sócios, a empresa “pivotou” para um novo modelo de negócios, baseado em múltiplos serviços e produtos financeiros, tal qual um banco de investimentos. Russo explica que a empresa opera com uma mesa de OTC (Over-the-counter, ou balcão), que faz compra e venda de criptomoedas em grandes volumes para os clientes institucionais. Há também uma gestora de recursos que administra capital de terceiros, na maior parte em criptomoedas.

“A Transferwise e a Trannsfero Swiss têm operações diferentes. A Transferwise é sediada na Inglaterra e tem como objetivo de negócio facilitar transações internacionais e com atuação no mundo todo. Já teve uma operação no Brasil com atividade de câmbio. A Transfero Brasil não faz câmbio. É uma corretora de criptomoedas para clientes institucionais, cuja relação termina quando entregamos as criptomoedas”, distingue Russo.

A inglesa Transferwise tinha um acordo com o MS Bank para processamento de microcontratos de câmbio de pessoas que queriam fazer remessas do Brasil para o exterior. Pela legislação, esses contratos de câmbio deveriam ser fechados entre a pessoa e a instituição financeira autorizada pelo Banco Central a fazer o processamento do contrato.  O acordo da Transferwise com o MS Bank previa que a empresa inglesa não seria remunerada pelo contrato de câmbio, pois seu objetivo seria ganhar uma base de usuários.

“Na prática, a Trasferwise fechava contratos de câmbio com valor superior ao valor requisitado pelo usuário, cobrando uma taxa de serviço, mas de uma forma que não deixava isso claro nem para o usuário nem para o banco”, explica Russo. Com esse modelo, a empresa pode ter fraudado o acordo com o banco e descumprido alguma norma regulatória.

“Essa regulação referre-se ao mercado de câmbio. No caso da Transfero, a atividade é diferente: a empresa faz intermediação de compra e venda de criptomoedas em transações que ocorrem no Brasil”, completa Russo.

Ele destaca que a Transfero Swiss é um conglomerado com mais de dez empresas atuando em diversos países – Brasil, Argentina, Estônia, Liechtenstein, Suíça – e quer expandir consideravelmente porque o modelo de negócio é replicável em qualquer país do mundo. Os controladores são o Grupo Alameda Research – que também detém a bolsa FTX, a segunda de criptomoedas do mundo, sediada em Hong Kong – e sete sócios, todos brasileiros.

A Transfero Swiss é também a emissora do BRZ Token – a primeira stablecoin pareada ao real  – e oferece um serviço de pagamentos atrelado à moeda, usando a BRZ como tecnologia de backoffice. Stablecoins são criptomoedas ou tokens digitais usando o blockchain, em que a ideia é que seu valor se mantenha o mais estável possível porque tem o lastro no ativo que representa. No caso da BRZ Token, o Real.

“Hoje é fundamental ter o lastro no valor monetário que seja igual ou superior ao que está em circulação. Até existem conceitos novos com stablecoins baseadas em algoritmos, mas que não tiveram sucesso. Hoje temos em circulação entre R$ 200 e R$ 300 milhões em BRZ e garantimos que existem ativos em valor igual ou superior”, diz Russo.

A BRZ foi a criptomoeda brasileira mais negociada do país em janeiro de 2021, com um volume de operações de cerca de R$ 203 milhões, de acordo com dados oficiais da Receita Federal, onde vêm sendo registradas as transações com criptoativos.

“Em 2020, o volume de transações com a BRZ chegou a R$ 1,5 bilhão. Em 2021, só nos primeiros três meses o volume chegou a R$ 2 bilhões. Se o comportamento se espalhar pelo ano, poderíamos pensar em R$ 8 bilhões. Mas como temos crescido bastante, não é difícil chegar a R$ 10 bilhões”, projeta Russo.

Ele explica que a finalidade da stablecoin é facilitar pagamento e não para investimento.  Há uma grande movimentação de stablecoins no mercado internacional de cripto ativos porque há bolsas como a Binance, sediada em Malta, a Coinbase, nos EUA, e a FTX, em Hong Kong. A maior parte das negociações com a BRZ são internacionais, e a principal bolsa é a MTX, de Hong Kong. Russo explica que as pessoas acessam essas bolsas de forma mais fácil por meio de stablecoins, devido a uma série de regulações no sistema de pagamentos com a moeda fiduciária.

“O nosso intuito, ao criar a BRZ, foi dar facilidade para que o investidor brasileiro movimente reais entre corretoras brasileiras e internacionais. O brasileiro quer realizar o ganho em real. Hoje em dia, com o movimento de DeFi, de finanças descentralizadas, há ferramentas que permitem auferir rentabilidade por meio de stablecoins. Trata-se de algo muito novo e pouco discutido do ponto de vista regulatório, mas muito positivo para o investidor”, analisa Russo.

FONTE: TeleSíntese
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