Telegram vira reduto para desinformação pró-Bolsonaro, diz jornal britânico

Telegram vira reduto para desinformação pró-Bolsonaro, diz jornal britânico
Foto: Pixabay

Às vésperas do início oficial da corrida eleitoral no Brasil, os diversos candidatos já definem suas estratégias para alcançar o eleitorado. O atual presidente, Jair Bolsonaro, vem apostando as fichas no Telegram, plataforma de transmissão de notícias sem representação no país, e que por isso tem menos chances de ser passível de punição no caso de disseminação de desinformação.

A análise é do jornal britânico Financial Times, que hoje, 12, publicou uma reportagem sobre o tema. Conforme o veículo inglês, Bolsonaro caiu em descrédito nas redes sociais das Big Techs e suas falas têm sido restringidas por conterem desinformação a respeito do combate à Covid-19.

O Facebook já apagou uma de suas lives na qual disse que a vacina de Covid-19 causa AIDS. O Whatsapp estabeleceu limites para grupos e a disseminação de mensagens reencaminhadas. Ambos os aplicativos já baniram contas ligadas a Bolsonaro, e especula-se que falta pouco para uma restrição permanente, como fez o Facebook com Donald Trump nos Estados Unidos após a invasão de seus seguidores ao Capitólio com o intuito de impedir a declaração da vitória eleitoral do adversário Joe Biden.

Não apenas as grandes redes sinalizam o mau uso das plataformas pelo político brasileiro, como também o Supremo Tribunal Federal acompanha abusos em um inquérito relatado por Alexandre de Moraes, cuja investigação foi prorrogada por mais 90 dias nesta semana.

Segundo o Financial Times, a aposta de Bolsonaro no Telegram tem razão de ser. Além de a plataforma não ter representantes no Brasil que possam ser responsabilizados legalmente pelo STF, é utilizada por cerca de metade dos brasileiros. O próprio Bolsonaro tem ali mais de 1 milhão de seguidores. E nos grupos não existe debate, a transmissão é de mão única, facilitando a disseminação de discursos sem qualquer contraposição. Campo fértil para desinformação.

O presidente também investe na Gettr, plataforma de extrema direita lançada por ex-assessor de Trump. Nela, possui mais de 500 mil seguidores. E embora essas redes sejam encaradas como “bolhas” do universo extremista, servem como repositório para posts e vídeos bloqueados nas redes dos grandes grupos digitais, preservando mensagens que foram consideradas ou comprovadamente tidas como enganosas.

O jornal lembra que asseclas de Bolsonaro cometeram crimes utilizando as redes sociais, e por isso encaram processos penais. É o caso de Allan dos Santos, cuja prisão preventiva e extradição dos Estados Unidos foi solicitada por Moraes, mas não foi atendida até o momento. No dia 8, Bolsonaro e o ministro das Comunicações, Fabio Faria, posaram para foto ao lado de Santos na Igreja Lagoinha de Orlando, na Flórida.

FONTE: TeleSíntese
Nossos sinceros agradecimentos aos autores da publicação!