Subnotificação dos ISPs pode prejudicar alocação do novo Fust, alerta Anatel

O Superintendente de Planejamento e Regulamentação da Anatel, Nilo Pasquali alertou hoje, 26, os ISPs de que a subnotificação sobre a existência de infraestrutura no Brasil poderá prejudicar a alocação futura do Fust na expansão da banda larga.

Ao participar do Inovatic 2020, evento online realizado pelos portais Tele.Síntese e PontoISP, Pasquali festejou a aprovação pelo Senado, na semana passada, do PL 172, que autoriza o uso do Fust em banda larga, derrubando a restrição existente até então, que só permitia o uso em telefonia fixa. Mas lembrou que o mapeamento das redes brasileiras não mostra integralmente a presença dos provedores regionais.

Segundo explicou, a agência quer evitar que recursos de políticas públicas acabem sendo usados em sobreposição de redes. “Tem que ter expansão da banda larga, sejam redes móveis ou fixas, para conectar onde não tem rede ainda”, ressaltou.

Ele lembrou que além de recursos do Fust, a Anatel lança mão de sanções com obrigação de fazer, de TACs e de editais de radiofrequência. Nos próximos meses, haverá o leilão de espectro que terá mais compromissos, além da destinação de recursos decorrentes da conversão de outorgas de concessão do STFC em autorizações. Em todos os casos, a subnotificação é prejudicial para a definição certeira dos compromissos de cobertura.

“Dado esse cenário, ter a informação da infraestrutura é essencial. A gente pede normalmente coisas muito simples, não precisamos de detalhes. Aí que entra a consulta pública 68, que trata das infraestruturas de redes de transporte. Estamos há muitos anos tentando fazer o mapeamento disso, não com viés de fiscalização. A gente precisa saber onde as redes estão para incentivar a construção onde não estão”, resumiu.

Diferença grande

Caio Bonilha, sócio diretor da consultoria Futurion, alertou no debate para o tamanho da diferença existente entre os dados oficiais e a realidade. Comparando informações da Anatel, que são reunidas com base no que as empresas reportam, com dados de conectividade levantados pelo Cetic.br, Bonilha chegou à conclusão que há subnotificação de 20,55 milhões de acessos em banda larga. Ou seja, há no Brasil 55,53 milhões de acessos de banda larga fixa, mas a agência contabiliza oficialmente 34,98 milhões, uma diferença de 37%.

Felipe Cansanção, CEO da Aloo Telecom também defendeu a atualização dos dados da Anatel. Segundo ele, os dados reais são surpreendentes, e a presença dos ISPs é maior do que se imagina. Os estados de Alagoas e Sergipe, garantiu, já têm todas as cidades atendidas por fibra.

“Alagoas hoje a gente tem certeza que 100% dos municípios tem fibra. Sergipe também, são 83 municipios que temos certeza que a inclusão digital já chegou. A Bahia melhorou muito, PE. Então a difusão da fibra, 80% das cidades no Nordeste têm um ISP que tá fazendo a banda larga”, afirmou.

Ele fala com propriedade. A Aloo é fornecedora de infraestrutura de transporte para os ISPs locais, e segundo ele, essas estimativas se baseiam justamente nos contratos assinados.

Modernização, postes e WiFi

William Taylor, Diretor Comercial ISP da Connectoway, distribuidora de equipamentos para redes, concorda com a perspectiva. “Em números, em 2019, tivemos aumento de 49% em faturamento fornecendo soluções a ISPs. 2020 já temos recorde de faturamento, em DWDM e soluções de acesso”, afirmou.

Indício do quanto os provedores vem crescendo a passos largos é a demanda que a distribuidora vem tendo. “Praticamente todos os municípios têm internet de qualidade. A Connectway já chegou a faturar 800 km de fibra em um dia, tudo pro mercado ISP. A gente entrega entre 60 a 70 mil NU por mês. Quem compra? ISP. Modernizar a rede é um movimento atual. Nunca se fez tanto projeto DWDM como hoje em dia”, afirmou o executivo.

Para Rosauro Baretta, da Eaí Telecom, se a realidade brasileira for como a Paranaense, de fato há mais redes prontas do que se conhece oficialmente. Segundo ele, muitas comunidades com 50 a 100 casas do estado já recebem fibra. Por isso, ele sugere que a Anatel se debruce não apenas na distribuição dos recursos para implantação de rede, mas na facilitação para que os ISPs trabalhem.

“Talvez a Anatel pudesse colaborar para que em áreas rurais o aluguel de postes tenham um preço diferente do aluguel em cidades, para que a internet chegue à toda a população. E sobre o WiFi6, seria importante ter a frequência [de 6 GHz] porque o WiFi está muito cheio, sendo muito usado”, falou.

FONTE: TeleSíntese
Aproveito a oportunidade para renovar meus protestos de respeito e consideração aos autores da publicação original.