Sem conhecer preços, Um Telecom adia decisão sobre leilão do 5G

A indefinição do edital do leilão de frequências para o 5G, atualmente em apreciação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), está impedindo que provedores regionais confirmem ou não suas participações no certame. É o que acontece com a Um Telecom, empresa com sede em Pernambuco, e que tem interesse em comprar, por meio de consórcio, um lote regional da faixa de 3,5 GHz e, sozinha ou de forma coordenada, um lote da faixa de 26 GHz. 

Segundo o diretor de Novos Negócios da prestadora, Daniel Gomes, empresas competitivas, lideradas pela Associação Brasileira de Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp) e uma consultoria especializada, estão estudando as formas de participação. Porém, sem saber o valor dos lotes e, no caso da faixa de 3,5 GHz, as cidades que terão de ser contempladas por obrigações, é difícil fechar um plano de negócio. 

“Algumas questões relacionadas a custo da tecnologia estamos tende dificuldades também”, disse Gomes, que mantém a intenção da empresa de participar da licitação. “Um edital desse não se tem sempre e a frequência é um bem limitado, mas a avaliação precisa ser cuidadosa, tendo em vista que essa tecnologia vai revolucionar a comunicação móvel no mundo”, disse. Mas pondera que esse é um novo negócio para qualquer operadora competitiva que ainda não investe em rede móvel e que exige altos investimentos e que precisam ser pesados. 

A Um Telecom já possui uma MVNO funcionando, mas que ainda não foi lançada comercialmente, contratada da Datora e com rede da TIM. “É uma operação bem diferente da participação direta na licitação de frequência, porque teremos que construir a infraestrutura”, disse o executivo, que adianta a intenção da operadora em usar a tecnologia FWA (banda larga fixa em rede móvel) na faixa de 26 GHz em alguns locais. 

Para Gomes, a vantagem da frequência alta é de que não engloba obrigações, embora a incerteza quanto à tecnologia para ondas milimétricas ainda precisa avançar. “Por isso é difícil fazer um plano de negócio com tantas dúvidas”, disse. 

O consórcio que está em debate deve reunir empresas de regiões diferentes e que atuam em segmentos de negócios distintos. A análise feita pela consultoria engloba também o lote na faixa de 2,3 GHz, além do regional na faixa de 3,5 GHz e do lote na frequência de ondas milimétricas (26 GHz). Alguns modelos financeiros já foram apresentados, mas não existe nenhuma vinculação de participação das empresas. “O estudo é conjunto, mas a estratégia de participação cada uma faz da forma que lhe convier”, disse Gomes. 

Varejo 

Enquanto não há definição do preço do leilão, a Um Telecom vai tocando seus planos. Um deles é o lançamento de novos produtos de TI, como uma SOC para monitoramento 24 horas da rede dos clientes corporativos. Em 2022, a oferta será voltada para Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Além da expansão da rede, com duas rotas de Pernambuco para Bahia, uma passando pelo interior de Alagoas e Sergipe, e outra litorânea, ambas chegando a Salvador. A Um Telecom está concluindo seu Ponto de Troca de Tráfego em Recife, uma extensão do IX do Nic.br, reduzindo os custos para os clientes. 

Outra área que está sendo trabalhada agora pela Um Telecom é sua participação no varejo, já que foi criada  para operações B2B. Para isso, a empresa criou uma subsidiária independente, a Um Fibra, que, desde fevereiro, está operando no município pernambucano de Moreno e será lançado em Salgueiro nos próximos dias. 

Segundo Gomes, a estratégia da operadora para atuar no mercado B2C é diferente, já que necessita novo foco. A operação usa o backbone da Um Telecom, mas em cada município usa a rede de acesso de ISPs já instalados na região. “Optamos por um modelo de negócio de associação com pequenos provedores da região, evitando competição com clientes”, disse. 

No caso de Moreno, a UM Telecom acabou comprando o ISP local, mas em Salgueiro está se associando com um provedor que já funciona na cidade, mas que tem sofrido com a concorrência de grandes grupos. “O provedor associado passa por melhoria da gestão, regularização de uso de postes e de tributação e a Um Fibra entre com a plataforma, a capacidade de compra, criação de loja, ou seja, é capacitado para competir”, disse o executivo. 

O objetivo da operação no varejo, segundo Gomes, é ganhar escala, alavancar e, posteriormente, atrair aporte de um fundo de investimento, sem perder o controle da companhia. “O varejo é uma moeda mais fácil para fazer negócio nessa fase de consolidação do mercado e de necessidade de grandes investimentos”, afirma. 

A Um Telecom tem mais de 320 ISPs como clientes, além de empresas e governo e rede com mais de 15 mil km de rede. Pela estimativa de Daniel Gomes, a empresa atinge mais de um milhão de residências. Já a estimativa de crescimento da empresa para este ano é de 30% no aumento da receita. 

 

FONTE: TeleSíntese
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