Radioamadores desenvolvem rede WiFi para atender áreas de desastre


Por Alisson, PR7GA


Radioamadores alemães da DARC, associação nacional de radioamadores daquele país, estão desenvolvendo uma nova forma de abordar o problema das telecomunicações durante emergências. O objetivo é instalar uma rede WiFi de alto desempenho em áreas de desastre para que equipes de emergência e a população afetada possam trocar mensagens e acessar informações.
A ideia surgiu durante a enchente na região do rio Ahr, em agosto deste ano, em que morreram 165 pessoas, 24 na Bélgica e 141 na Alemanha, além de centenas de feridos. Na ocasião, os radioamadores pouco puderam ajudar porque as equipes de resgate, mesmo que com dificuldade, utilizaram a sua própria infraestrutura de comunicação de rádio digital, incompatível com os sistemas amadores.
Somado a isto, o grupo responsável pelas comunicações de emergência da DARC analisa há algum tempo novas abordagens sobre como os radioamadores poderiam ser úteis, já que os requisitos para as comunicações em emergências mudaram ao longo do tempo devido a mudanças técnicas. Se no passado os radioamadores utilizavam suas redes para basicamente servir de ponte, transportando as informações entre áreas afetadas e o mundo exterior, auxiliando as autoridades, a ideia em voga agora por parte do grupo é que os radioamadores possam montar redes WiFi de alto desempenho que permitirão que os afetados acessem a Internet, enviem mensagens e acessem informações por meio de smartphones ou notebooks. Esta ideia tem o apoio de outras associações de auxílio, políticos e até das forças armadas.

Protótipos

A DARC está atualmente em fase de desenvolvimento de um protótipo de um sistema destes que pode ser transportado em um trailer puxado por algum veículo e que funciona independentemente da rede elétrica. Se o conceito se mostrar viável e funcionar adequadamente na prática, tais sistemas de emergência estarão disponíveis no futuro em toda a Alemanha para que os radioamadores que atuam em comunicações de emergência possam levar e montar o equipamento até o local afetado rapidamente, se necessário. O sistema não inclui apenas os equipamentos da rede WiFi, mas também, por exemplo, uma fonte de alimentação independente da rede e estações de carregamento para que a população possa carregar seus dispositivos móveis em caso de falha da rede elétrica.
A associação alemã de radioamadores irá assumir os custos do desenvolvimento deste protótipo, porém os custos para a implantação em todo o país são bastante expressivos e a DARC espera receber ajuda das autoridades e dos empresários. A ideia é distribuir os equipamentos dentre os vários grupos de rádio de emergência espalhados por toda a Alemanha, para que possam operar a rede por conta própria. A associação prevê custos da ordem de 1 milhão de euros por cada grupo para a compra dos equipamentos, além da manutenção e armazenamento nos primeiros anos. 
A partir de abril de 2022, a DARC espera ter concluído o protótipo e pretende demonstrar na prática o conceito, de forma a mostrar a grande utilidade que os radioamadores podem ter mesmo diante dos novos desafios impostos pela vida moderna.

Redes radioamadoras de banda larga

Ao redor do mundo já existem diversos radioamadores e associações que operam redes de alta velocidade utilizando parte das faixas destinadas comumente ao WiFi, seja nas bandas de 2,4 ou na de 5 GHz, já que compreendem parte das faixas de 13 e de 9 centímetros a nós também destinadas. 
Basicamente, o sistema utiliza estações (chamadas de “nodes” ou “nós”) que se comunicam entre si de forma automática e que permitem tráfego de dados entre elas. É a chamada rede MESH. Cada nó numa determinada área geográfica pode tanto gerar informação quanto servir como ponte para comunicação entre nós que não têm comunicação direta. Tudo isso é feito de forma transparente, por meio do software que roda em cada nó, utilizando equipamentos comerciais (roteadores) modificados para operar dentro das faixas de radioamador.
Experimente buscar por “HAMNET” no google e achará diversos sites a respeito. No Brasil, o sistema é pouco conhecido e não conseguimos encontrar nenhum grupo que o utiliza nos dias atuais. Poderia ser um excelente campo de pesquisa, unindo tecnologia de redes sem fio e o radioamadorismo.
O vídeo abaixo, apesar de ter mais de 8 anos, permite uma visão geral sobre o sistema:


Fontes:




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FONTE: Blog QTC da ECRA
Nossos sinceros agradecimentos aos autores da publicação!