Potencial de crescimento dos ISPs e riscos impactam na decisão dos fundos, diz gestor

O sócio fundador da Light Wawe Capital, Ricardo Montes, disse que fundo quer fazer fibra no Brasil. O objetivo é comprar empresas com taxa de faturamento na faixa de pelo menos R$ 50 milhões, sarrafo que foi baixado recentemente para abarcar ISPs que vêm crescendo rapidamente. Ele participou de mesa redonda da INOVATic 2020, iniciada nesta quarta-feira, 25.

Montes disse, no entanto, que as negociações com ISPs envolvem uma componente pessoal muito grande, que vai nortear o avanço dos entendimentos. Nesse momento, considera o papel do assessor ou consultor de grande importância. “O empreendedor, na maior parte das vezes, nunca passou por uma negociação dessas então o assessor precisa dizer o que cada player vislumbra, o que vai facilitar o andamento ou não das conversas”, disse.

Montes observa que os fundos procuram o potencial de crescimento de cada empresa e vai analisar a região onde o provedor atua, seu potencial de crescimento orgânico nas adjacências e o potencial de crescimento inorgânico na região. “A segunda coisa é o management, tanto o principal dirigente da empresa como os diretores vão participar do negócio e o terceiro fator é o risco da operação”, disse.

“Os compradores já aprenderam até quanto podem ir no preço e estão aprendendo até onde podem ir no risco, estão criando a régua agora, essa é a verdade”, disse o gestor. Segundo ele, o risco da operação deriva do arcabouço tributário do setor que é um pântano cinzento e cada uma empresa tem um planejamento tributário diferente, o que torna os riscos distintos.

Para Montes, as partes já conhecem essa cartilha, mas ainda têm um caminho a percorrer para fechar acordos e esse aprendizado vai reduzir exponencialmente a taxa de mortalidade dos ISPs. Mas é preciso ter informações sobre as empresas, porque muitos dos pontos que precisam ser avaliados para se chegar a um preço não são financeiros, como os vendors, comenta.

Preço

O sócio da Vispe Capital, Pablo Constantino, que atua na área de M&A de pequenos e médios ISPs, por sua vez, diz que há a preocupação com o preço, nessas tratativas. Segundo ele, o volume de negociações está aumentando muito e isso acaba influenciando no estabelecimento do preço do ativo. “O que se nota é um aumento da expectativa de valor pelo dono do ISP, o que pode inviabilizar o fechamento de acordos”, disse.

Outro ponto sensível nas negociações, entende Constantino, é decisão pessoal de cada um. “Muitas vezes acontece de o empreendedor não estar pronto para vender, ele quer expandir um pouco mais ainda, então ele precisa captar recursos para isso e, no futuro, realizar a venda”, disse. Para o consultor, a decisão pessoal do empreendedor, a visão dos sócios, é também um ativo que o fundo está comprando.

O conselho de Constantino é de, antes de vender, os ISPs devem ajustar os ativos mobilizados das empresas, porque muitos investiram em redes e fibras e não tinham uma comunicação clara com o contador; ajustar a questão do capital social, da estrutura da empresa de processos, data centers, redes. “É um checklist extenso que os ISPs precisam fazer antes de procurar um fundo de investimento”, recomenda.

A INOVATic e ISP Business são promovidas pelo Tele.Síntese em parceria com o PontoISP e vão até sexta-feira, 27. Na feira virtual de negócios há a apresentação de novas tecnologias e promoções para os participantes, inclusive descontos.

 

 

FONTE: TeleSíntese
Mais uma vez, agradecemos aos autores originais desta publicação.