Para GSMA, decisão da Anatel sobre uso dos 6 GHz compromete o futuro da 5G

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O Conselho Diretor da Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu em sua última reunião os requisitos técnicos dos equipamentos que poderão usar a faixa de 6 GHz, selando o uso pelos próximos anos da frequência pelo WiFi.

A decisão, embora tenha agradado fabricantes de equipamentos de rede fixa e provedores de internet, caiu mal para as teles. Nesta quinta-feira, 4, a GSMA, entidade global que representa as operadoras móveis, emitiu posicionamento criticando a decisão da Anatel.

A nota reitera o que afirmou Luciana Camargos, diretora de espectro futuro da GSMA, na mais recente live do Tele.Síntese, ocorrida semana passada. E vai além.

A entidade alega que o Brasil precisa dedicar no futuro ao menos 700 MHz dos 6GHs para o 5G, e, idealmente, a faixa em toda sua extensão – 1,2 GHz, portanto. A decisão da Anatel, critica, foi prematura ao comprometer a necessidade que virá à tona nos próximos anos.

“Será prejudicial ao desenvolvimento das redes 5G no país nos médio e longo prazos, impactando negativamente a capacidade de ampliação da cobertura, qualidade dos serviços, preço ao usuário e a garantia das características do IMT-2020”, resume, em nota.

Para a GSMA, a atualização do Ato nº 14.448, que elenca os requisitos para uso de rede na faixa, não é de fácil reversibilidade “pelo caráter não-especializado da instalação de dispositivos de WiFi”.

A entidade avalia ainda que a decisão colocará em risco mais de 20 mil links de radioenlaces (backhaul) que utilizam a faixa de 6 GHz, embora a Anatel restrinag o sinal do WiFi 6 a situações indoor.

“Esse serviço tão fundamental, não somente para as operadoras móveis, corre risco de interferência. Importante destacar que a decisão da Agência, até o momento, não contou com estudos, análises ou testes de compartilhamento que mostrem que o WiFi pode coexistir com o backhaul”, afirma a GSMA.

A associação dispara ainda contra trâmite do assunto na Anatel, que acusa de pouco transparente. “O processo seguido pela Anatel, que culminou na decisão do Conselho Diretor, poderia ter adotado um caminho mais transparente. A primeira consulta pública (N. 47/19) não tinha como objeto a aprovação do WiFi em 6 GHz. Contudo, a proposta da consulta pública N. 82/20, que tratou da atualização dos requisitos técnicos, já considerou a inclusão do WiFi nos 1.2 GHz como legado do processo anterior. Portanto, o uso da subfaixa de 6 GHz deveria ter sido trazido a um debate formal, através de análise de impacto regulatório e consulta pública, considerando, também, a demanda de espectro para o 5G licenciado”, considera.

Ainda no ano passado, a GSMA passou a insistir para que a Anatel dividisse a faixa de 6 GHz no Brasil, com o espectro de 5925 a 6425 MHz indo para uso não licenciado, enquanto a faixa de 6425-7125 MHz iria para o 5G licenciado. A proposta, no entanto, não foi levada em consideração pela agência.

FONTE: TeleSíntese
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