Para Câmara e-net, OTT e teles são complementares

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Na economia de dados, as operadoras de telecomunicações e plataformas digitais não disputam mercado, mas sim trazem benefícios um ao outro, na opinião da representante da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara e-net), Ana Paula Bialer. “É preciso enxergar essa dinâmico como de colaboração, ainda que se tenha competição em algum nível”, disse.

Para Ana Paula, esse novo mercado, apesar de disruptivo, repete discussão antigas, como a da interconexão após a privatização, e não tende a aniquilar mercados antigos, vide táxi e uber. “A sociedade tende a fazer com o tempo acomodações”, afirmou, na sua participação no VI Workshop de Competição, promovido nesta quarta-feira, 7, pela Anatel.

Ela alerta para não querer olhar para esse novo cenário de economia de dados com um olhar de regulação pelo retrovisor. “É preciso olhar para a regulamentação da competição e pensar se há uma necessidade de evolução do que já se tem hoje para acomodar essa realidade da economia digital”, disse.

Ana Paula ressaltou a dificuldade de regulamentar a economia digital, que tem a internet como base e sem fronteiras. “Eu não estou falando que a internet não tenha que ter algum tipo de legislação, não é isso, mas existe uma dificuldade prática de como a gente fazer valer certas regras nessa estrutura e ter que fazer algumas escolhas regulatórias”, disse.

A representante da Câmara e-net mostrou preocupação com a falta de uma definição de quem trata da segurança cibernética naquilo que extrapola da competência da Anatel. No seu entendimento, essa é uma questão fundamental para a economia de dados e a alternativa que considera mais acertada é seguir padrões globais, construídos junto com a indústria.

OTTs

Ana Paula disse que o medo das grandes empresas da internet, que lidam com um enorme volume de dados não se sustenta. “A economia digital não é feita de meia dúzia de grandes empresas, têm milhares de empresas que conseguem existir em decorrência desse fenômeno”, afirma. Ele lembra que durante a pandemia se teve um exemplo de que é possível ser bem sucedida mesmo com entraves. “Isso porque conseguiram vender online”, afirmou.

“É preciso ter cuidado em impor limites às plataformas, porque ao mirar meia dúzia de empresas podemos acertar milhares de pequenas empresas que realmente dependem dessa dinamicidade do setor digital”, ressalta.

Outra preocupação de Ana Paula é com a tendência de mistificar a inteligência artificial, que é habilitadora da transformação digital. Ela defende a utilização do sandbox regulatório nesse caso, ao invés de buscar uma lei para limitar a tecnologia.

FONTE: TeleSíntese
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