Operador de rádio: a função mais perigosa do mundo durante uma guerra


Por Eric Milzarski; traduzido por Alisson, PR7GA
No auge da Guerra do Vietnã, jovens soldados que gostavam de radiocomunicação e que queriam aprender a arte da operação do rádio entravam em uma sala de aula e viam um grande número 5 (cinco) escrito no quadro-negro.

Após alguns momentos de hesitação, finalmente alguém mais corajoso iria finalmente perguntar o que significava aquele grande número. O instrutor então responderia calmamente: “Essa é a sua expectativa de vida, em segundos, em um tiroteio. Por isso, se quiser se manter vivo numa batalha, preste atenção ao que será dito aqui.
Esse número não era algo fora da realidade e nem uma tática para captar a atenção dos alunos. Durante a Guerra do Vietnã, de fato ser um operador de rádio era uma das funções mais perigosas que alguém poderia cumprir e a expectativa de vida de 5 segundos era, para alguns, uma dura realidade.
Para piorar a situação, o operador sequer podia controlar o volume de áudio do equipamento, já que este ficava nas costas do operador, inacessível às suas mãos. As conversas via rádio também podiam revelar sua posição.

Porém, sendo mais realista, esse número representava o lado mais extremo das estimativas. A expectativa de vida de um operador de rádio na Guerra do Vietnã variou de cinco a seis segundos até trinta segundos, sendo mais otimista e dependendo da fonte. Se observamos tudo que era exigido de um operador de rádio, é fácil perceber o motivo pelo qual esses heróis da radiocomunicação normalmente não duravam muito tempo em combate.
O primeiro problema que enfrentavam era o peso do equipamento que deveriam carregar durante a batalha. Segundo a Wikipedia, o sistema de rádio PRC-77 pesava 6,2 kg sem baterias. Porém, para funcionar, era necessário também levar as baterias para uso, outras sobressalentes e um grande equipamento de criptografia chamado NESTOR. Assim, ao final o pobre operador teria de carregar quase 25 kg de peso nas costas o tempo todo. Porém isso não é tudo, pois um soldado precisa de armas. E também precisa acompanhar seus colegas de farda no mesmo ritmo que eles estão – só que eles estão levando ao menos 25 kg a menos que ele… Sentiu o drama?

Se o peso do conjunto não bastasse, ainda tinha as antenas. Apesar de não serem muito pesadas, eram extremamente desconfortáveis ​​de usar e freqüentemente entregavam sua posição ao inimigo. Havia uma versão com um metro de comprimento, mais fácil de carregar, mas ela não era adequada em selvas densas. Para este ambiente, o operador de rádio precisava de uma antena de três metros de comprimento, que além de desconfortável era uma ótima maneira de chamar a atenção do inimigo.

Operador de rádio e seu equipamento completo

O vietcongue sabia muito bem o que significava abater um cara com uma antena gigante de três metros espetada nas costas. Era como ter pintado um alvo pintado sobre si. Ao abater um operador de rádio, eliminava-se automaticamente o apoio aéreo. Além disso, sabia-se que, sempre à frente do operador de rádio, estava o oficial em comando. Ou seja, apontar para ele seria eliminar dois alvos de alta prioridade de uma vez só.
E não era apenas com as balas que os operadores de rádio precisavam se preocupar. A grande antena também era um alvo para morteiros e outros explosivos. Tudo o que o inimigo tinha de fazer era apontar para a antena e eles poderiam eliminar qualquer um perto do operador de rádio. Por isso, tragicamente o operador de rádio às vezes se movia isolado, longe do resto do pelotão.
Não há dados precisos a respeito de quantos operadores de rádio perderam suas vidas durante a Guerra do Vietnã. Enquanto muitos deles enfrentavam a realidade descrita acima o tempo todo, outros carregavam seus equipamentos apenas em momentos de necessidade. Uma coisa é certa, porém: o trabalho dos operadores de rádio durante a Guerra do Vietnã era um dos mais difíceis e heróicos que o Exército tinha a oferecer.



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FONTE: Blog QTC da ECRA
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