O desafio das redes neutras é conquistar a confiança dos clientes

INOVAtic PAINEL 4 - As redes neutras e compartilhadas. O Diferencial - Crédito: TV.Síntese
INOVAtic PAINEL 4 – As redes neutras e compartilhadas. O Diferencial – Crédito: TV.Síntese

As grandes redes neutras chegaram em um momento de amadurecimento do mercado de infraestrutura, provocado principalmente pela pandemia do coronavírus, que transformou a conectividade em um produto essencial, que passou a ser considerada uma atividade meio, ao invés de uma atividade fim.  Esses são alguns dos consensos tirados do painel do INOVAtic, realizado na manhã desta terça-feira, 26, que reuniu representantes da V.tal, Fibrasil, Eletronet, Forte Telecom e da Ciena, distribuidora de tecnologia para implantação de redes. 

Essa nova configuração de oferta de serviço, de rede neutra,  ainda causa desconfiança nos ISPs, principais alvos das novas empresas. “Muitos provedores regionais de internet veem com preocupação essa ampliação de redes neutras e vão esperar para saber como vai ficar”, afirma o diretor da Forte Telecom, Sérgio Simas, empresa que oferece capacidade no atacado para o mercado B2B e que já trabalha há muitos anos nesse mercado. “Nosso foco é promover condições aos ISPs para ofertar melhores serviços e experimentar novos mercados”, disse. 

É essa também a opinião do representante da Eletronet, Célio Mello,  gerente de Produtos e Projetos Estratégicos que há 20 anos opera dentro desse conceito de rede neutra independente. Para ele, o mais importante é o conceito da neutralidade que vai prevalecer. “E junto com isso, você traz a eficiência para o segmento de conectividade, que é fundamental em um país que tem uma demanda enorme de investimentos em infraestrutura”, afirma. 

Mello entende ser  um processo de amadurecimento do mercado, que tem um histórico de diferencial de competitividade baseado na propriedade da rede e passa para uma próxima etapa, em que o diferencial é focada na forma como o serviço é apresentado. “Entendo que o grande desafio nesse processo, particularmente das grandes operadoras, é a construção de confiança, num segmento que é historicamente proprietário das redes e a Eletronet tem muita contribuição para dar, de que é um mercado saudável e cria as condições para balancear as desigualdades existentes no país”, disse. 

Ecossistema 

Para o CEO da Fibrasil, André Kriger, as redes neutras são importantes para o crescimento dos ISPs, com qualidade e sustentabilidade. Para isso, o modelo de negócio deve se focado na simplicidade e maleabilidade. “Os provedores regionais têm feito um trabalho muito importante, mas para que a gente consiga massificar a banda larga de verdade, as redes neutras vão ser muito importantes”, disse. 

Kriger defendeu a adoção de um padrão de API [interface de programação de aplicações, na sigla em inglês], para que fique mais fácil a conexão nas redes neutras, ao invés de os clientes tenham que fazer duas a três vezes o mesmo esforço para que isso aconteça. 

Já o diretor de Marketing da V.tal, Rafael Marquez, ressaltou a rede neutra simplifica as operações para o ISP, que pode focar sua atividade no atendimento ao consumidor final, em expandir mais rápido, sem se preocupar com a evolução da tecnologia. “É uma economia compartilhada, cada um em seu core business, em sua zona de domínio”, disse. 

Para isso, Marquez concorda que é preciso a construção de um ecossistema, tendo como parâmetro fundamental a eficiência. “Os provedores têm papel fundamental, são desbravadores da conectividade e agora podem dar um próximo passo, para suportar a expansão”, disse. “O modelo é de ganha-ganha, de compartilhar eficiências para que juntos a gente consiga de fato quebrar essa barreira de levar a banda larga para todos os rincões”, disse. 

O INOVAtic versão Sul/Sudeste é um evento do Tele.Síntese e que prossegue até quarta-feira, 27. 

FONTE: TeleSíntese
Aproveito a oportunidade para renovar meus protestos de respeito e consideração aos autores da publicação original.