ISPs traçam planos para faturar com as novas redes 5G

Foto de Jarosław Kwoczała para o Unsplash

A Iniciativa 5G Brasil fez diversos lances no leilão de espectro da Anatel realizado em novembro. Mas, incapaz de igualar propostas surpreendentes, como a de R$ 1,4 bilhão feita pela empresa Winity pelo lote de 700 MHz, acabou sem arrematar ativos. Isso não vai impedir que boa parte dos 420 ISPs de banda larga integrantes do consórcio busquem faturar com a chegada da 5G.

Segundo o coordenador do consórcio, Rudinei Gerhart, há opções que já começam a ser exploradas. Em primeiro lugar, um grupo de 300 provedores que fazem parte da Iniciativa 5G Brasil está constituindo uma sociedade anônima batizada de ISPs do Brasil.

Essa empresa terá como foco criar uma operadora móvel virtual, de abrangência nacional, e que vai trabalhar em regime de autorização. A intenção, falou Gerhart ao Telesíntese, é acelerar a implantação da MVNO montando uma operadora virtual credenciada até que a Anatel aprove a criação da autorizada.

Pelo regulamento de telecomunicações, as operadoras virtuais podem ser constituídas como credenciadas ou autorizadas. As primeiras são empresas com marca própria, mas que utilizam infraestrutura e core de rede de uma operadora originária já constituída e atuante no mercado. As segundas detêm infraestrutura e núcleo de rede próprio, mas recorrem ao espectro de outra operadora móvel existente. O processo de análise de criação de uma credenciada costuma tramitar mais rapidamente na Anatel, cerca de três meses. O de autorizada pode levar um ano. Daí a estratégia de iniciar os trabalhos como credenciada.

Rede óptica para as compradoras do espectro

Mas a criação de uma operadora virtual nacional é apenas uma das opções em análise pelos ISPs da Iniciativa 5G Brasil. Gerhart conta que os provedores já negociam grandes operadoras que compraram frequências no leilão da Anatel. Elas se propõem a mapear zonas de sombra no Brasil e fornecer a rede óptica necessária para a conexão das estações de quinta geração nessas localidades remotas.

“Temos conversado com essas operadoras para ajudar a melhorar a cobertura móvel. Podemos levar a mobilidade delas para todos os cantos do Brasil. Podemos comercializar a infraestrutura do ISP, o link de fibra até a torre. Alguns provedores têm torres e rooftops, e isso pode fazer parte do negócio”, afirma.

A negociação independe da constituição da MVNO, por serem segmentos distintos, com regras e regimes fiscais diferentes. São negócios separados entre si. Mas que denota um estreitamento da relação dos provedores com as grandes após o leilão.

Por fim, os ISPs podem avaliar o uso do espectro em caráter secundário, ou comprar frequência no mercado secundário. Essa possibilidade, no entanto, é a mais improvável. “O uso em caráter secundário traz muita insegurança, mesmo que o tempo de devolução da faixa em uso seja cinco anos, é muito pouco tempo para amortizar um investimento em telecomunicações. E o mercado secundário ainda precisa se efetivar”, resume o consultor.

FONTE: TeleSíntese
Para mais detalhes, acesse o website da publicação original.