Indústria de telecom terminará 2021 com crescimento real de apenas 1%

Indústria de telecom terminará 2021 com crescimento real de apenas 1%
Crédito: Freepik

O setor de telecomunicações irá faturar 12% a mais em 2021 do que em 2020, diz a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Com isso, o segmento arrecadará R$ 43,9 bilhões. A parte de infraestrutura crescerá 11% nesse período, enquanto a de telefonia celular, 12%. No entanto, o crescimento real de telecom, descontado a inflação, será de apenas 1% no ano, projeta a IDC.

Telecom representa o segundo maior faturamento do setor eletroeletrônico, atrás apenas de informática (R$ 47,2 bilhões). A projeção para 2021 é de que diante do maior crescimento de informática, de 17%, a área de telecom perderá sua primeira posição como área de maior receita do setor. No total, a indústria de eletroeletrônica irá faturar R$ 214,2 bilhões em 2021, uma variação positiva de 7%.

Áreas* 2020 2021 2021  X 2020 Var % Real 
Automação Industrial 5.766 7.190 25% 7%
Componentes Elétricos e Eletrônicos 11.067 14.476 31% 13%
Equipamentos Industriais 29.567 37.225 26% 9%
GTD ** 17.716 21.224 20% 3%
Informática 34.838 47.240 36% 17%
Material de Instalação 10.376 12.202 18% 1%
Telecomunicações 39.158 43.896 12% 1%
Utilidades Domésticas 24.704 30.781 25% 7%
Total 173.192 214.234 24% 7%
Fonte: Abinee, com dados da IDC. *valores em R$ milhões

Mesmo com a implementação da 5G em 2022, o ano não traz boas perspectivas de crescimento para telecom. O crescimento será de apenas 3%, conforme dados da IDC. De acordo com um dos vice-presidentes da Abinee, Aluizio Byrro, em 2022, o 5G estará apenas começando e o crescimento do setor com a partir da quinta geração deverá se expandir para 2023.

Ele também destacou que a baixa para 2022 também resulta do maior crescimento de telecom neste ano após recuperação de 2020. “Este ano tem um crescimento grande em função do baixo crescimento do ano passado. Isso tem que ser considerado. 3% é um bom crescimento, porque em 2021 a gente recuperou bem o comecinho do ano passado”, analisa.

Apesar do crescimento de 21% do mercado de telefones celulares, o número de unidades vendidas está caindo desde 2020, quando a variação de vendas foi de -8%. Em 2021, as vendas chegaram a pouco mais de 43,3 milhões de unidades, uma queda de 3% em relação ao ano anterior.

Outros devices, porém, apresentarão aumento de aquisições no mercado. Os desktops e tablets irão ter expansão de 24% e 28%, respectivamente, após quedas acentuadas em 2020. O notebook é o único aparelho cujo número de venda crescerá tanto em 2020 (22%), quanto em 2021 (35%).

Escassez de semicondutores

A desorganização da cadeia produtiva mundial causada pela pandemia continua a ser um dos maiores entraves para o setor eletroeletrônico, segundo a Abinee. Cerca de 70% das empresas ainda têm dificuldade para adquirir as matérias-primas necessárias para a produção, sendo a principal os semicondutores. A expectativa da maioria do setor (39%) é de que a crise de semicondutores se estabilize em meados de 2022. Outros 25% acreditam que a escassez terminará em meados de 2023.

A Abinee não registrou paralisações da indústria eletroeletrônica no Brasil. À diferença do setor automotivo, o dos eletroeletrônicos não pararam de produzir durante a pandemia, motivado pelo aumento de consumo de aparelhos. O maior impacto do desabastecimento de semicondutores para o segmento foi aumento de custos e do preço final e atraso dos prazos de entrega.

Importações e exportações

Assim como em 2020, a estimativa das importações do setor está bem acima das exportações neste ano, segundo SECEX. Enquanto as vendas para o exterior irão ficar em US$ 5,63 bilhões, as compras do exterior serão de US$ 39,45 milhões. Isso representa um déficit de US$ 33,82 bilhões, um aumento de aproximadamente 6% em comparação ao déficit de 2020.

Os principais destinos dos produtos eletroeletrônicos brasileiros são os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), que correspondem a US$ 2,5 bilhões das exportações. A Argentina é a maior compradora do Brasil no grupo, totalizando US$ 944 milhões . Em seguida, vem dos Estados Unidos (US$ 1,4 bilhões) e da União Europeia (US$ 562 milhões). As áreas de maior exportação são componentes para equipamentos industriais (US$ 721 milhões), eletrônica embarcada (US$ 627 milhões) e motores e geradores (US$ 515 milhões).

 

Áreas* 2019 2020 2021 * 2021 * X 2020
Automação Industrial 670 343 397 16%
Componentes 2.474 1.970 2.636 34%
Equipamentos Industriais 1.040 840 1.041 24%
GTD 535 602 657 9%
Informática 288 188 218 16%
Material de Instalação 70 43 59 37%
Telecomunicações 293 251 276 10%
Utilidades Domésticas 261 241 347 44%
Total 5.631 4.478 5.630 26%
Fonte: Abinee, com dados do SECEX. *Valores em US$ bilhões

Já os semicondutores vão ser os produtos mais importados, custando R$ 5,47 bilhões. Os módulos fotovoltaicos terão o maior crescimento de importação, 98%. Com isso, o valor dessa importação chegará a R$ 2 bilhões.

 

Áreas 2019 2020 2021 * 2021 * X 2020
Automação Industrial 670 343 397 16%
Componentes 2.474 1.970 2.636 34%
Equipamentos Industriais 1.040 840 1.041 24%
GTD 535 602 657 9%
Informática 288 188 218 16%
Material de Instalação 70 43 59 37%
Telecomunicações 293 251 276 10%
Utilidades Domésticas 261 241 347 44%
Total 5.631 4.478 5.630 26%
Fonte: Abinee, com dados da IDC. *Valores em US$ bilhões

A China é, em disparado, o país do qual o Brasil mais importa, somando R$ 19,2 bilhões em importações. A União Europeia, em segunda posição atrás da Ásia, ultrapassa pouco mais de um quarto desse valor, com R$ 5 bilhões. Os Estados Unidos vêm em terceiro, com R$ 2,9 bilhões.

FONTE: TeleSíntese
Nossos sinceros agradecimentos aos autores da publicação!