ICOM inicia projeto para desenvolver equipamentos para as faixas amadoras de 2,4 e 5,6 GHz




A tradicional fabricante de rádios ICOM anunciou em 10/12/2021 que está iniciando um projeto para o desenvolvimento, a partir do zero, de equipamentos para radioamador para operar nas bandas de 2,4 e 5,6 GHz. A frequência tão alta faz da operação nessas bandas ser um imenso desafio, exigindo equipamentos e técnicas de construção de antenas e linhas de transmissão totalmente novas e desconhecidas para quem está acostumado às faixas de HF ou mesmo VHF/UHF.

Em seu website, a ICOM disse que seus engenheiros estão trabalhando para pesquisar e desenvolver soluções para desafios nunca resolvidos dentro da banda SHF, como as grandes perdas nos cabos e linhas de transmissão e a exigência de grande estabilidade de frequência. O objetivo final é apresentar um produto e trazê-lo ao mercado a partir do zero.

O DESAFIO DO PIONEIRISMO


Em toda a sua história, toda vez que novas bandas de radioamador eram exploradas, sempre houveram pioneiros que operavam utilizando equipamentos caseiros e/ou adaptados utilizando transverters ou similares, seguindo a tradição de experimentalismo de nosso hobby. Daí, pouco a pouco, os fabricantes começavam a ofertar equipamentos comerciais. Assim aconteceu, há décadas atrás, nas faixas de VHF e, mais recentemente, em UHF.

Transverter Collins 62S-1, que convertia as bandas de 6m e 2m para serem utilizadas num equipamento para a faixa dos 20m, permitindo experiências naquelas que na época eram consideradas as “faixas altas”


Hoje há diversos radioamadores, inclusive aqui no Brasil, operando ativamente nas faixas super-altas, especialmente após a entrada em operação do primeiro satélite geoestacionário com transponder para as faixas de radioamador, o QO-100, que tem uplink na faixa dos 10 GHz e downlink em 2,4 GHz. Porém, na falta de equipamentos industrializados, têm que montar seus próprios sistemas e antenas, muitas vezes reaproveitando peças destinadas para serviços comerciais, como amplificadores de Wifi e antenas de TV por assinatura. Algumas dessas experiências brasileiras podem ser encontradas no excelente website do Roland, PY4ZBZ: https://www.qsl.net/py4zbz/eshail.htm

Acima, vemos exemplos de experimentos feitos por radioamadores para operar o satélite QO-100. Fonte: https://hf5l.pl/en/eshail-2-or-qo-100-for-beginners/
Aliás, falando na faixa dos 2,4 GHz, poucos sabem mas nós compartilhamos uma parte desta faixa com roteadores comuns de Wifi, presentes praticamente em todos os lares com internet hoje em dia. Isto permite que possamos utilizar legalmente este tipo de equipamento e também construir redes de dados amadoras que podem ser utilizadas, por exemplo, para levar um link de dados em alta velocidade para lugares remotos. Claro, tudo dentro da legalidade, sem objetivo comercial, como convém ao radioamadorismo. Veja aqui um exemplo do uso dessas redes de dados em uma situação de emergência: https://qtc.ecra.club/2018/11/repetidoras-e-tvs-operadas-por.html

Em seu comunicado, a ICOM ainda acrescenta que “pretende trazer uma nova era de diversão e possibilidades para os radioamadores na banda de SHF, que até agora teve grandes obstáculos técnicos e de equipamento a superar,” e que “espera tornar essas bandas mais atraentes e ativas para que todos possam facilmente operar nelas.”

 
Fonte: https://www.icomjapan.com/lp/shf/




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FONTE: Blog QTC da ECRA
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