Fim da divisão de celulares de LG é sinal de alerta para pequenos fabricantes

O fim da divisão de celulares da LG em todo o mundo terá efeitos relevantes no Brasil. A empresa precisará resolver questões trabalhistas, como necessidade de realocar funcionários e estabelecer um plano que ofereça alento também a fornecedores exclusivos da fábrica local. Terá de explicar como vai garantir que o comprador de celulares da marca sejam atendidos com garantia e peças de reposição com o encerramento das atividades. Mas fica ainda a pergunta quanto à configuração do mercado local. Quais empresas vão herdar os clientes da LG?

O mercado brasileiro de smartphones é concentrado. Segundo a IDC Brasil, apenas quatro empresas concentram 90% das vendas: Samsung, Motorola, LG e Apple. A LG vende por ano 4,5 milhões de celulares, o que lhe confere 12% de market share no Brasil, de acordo com dados da consultoria.

Tal concentração é uma grande barreira de entrada e dificulta a vida de fabricantes menores, como TCL, Positivo, Multilaser e Asus, que acabam focando no segmento de preço baixo a fim de evitar a rivalidade ferrenha do mercado premium e intermediário premium.

Para Renato Meireles, analista de mercado de celulares e dispositivos da IDC Brasil, acende-se o sinal de alerta. “A LG realmente perdeu sustentação por conta do posicionamento de preços”, avalia. A empresa, diz, foi espremida pelas rivais no Brasil, e enfrentou ainda o avanço do mercado cinza, de celulares contrabandeados, principalmente da marca Xiaomi.

A fabricante tentava competir pelo cliente intermediário premium, segmento dominado por Samsung e Motorola no mundo e no Brasil também. Aqui, essas duas devem, portanto, ser as grandes receptoras dos clientes que até então compravam LG.

Para as competidoras locais no topo da pirâmide, a notícia é positiva, avalia. Elas devem repartir os espólios. Mas para o consumidor, haverá diminuição da competição – a menos que outra fabricante venha ocupar o espaço deixado. “Aquele fabricante que não oferta produto numa faixa de intermediário premium e superpremium está fora da briga por esses clientes. A LG tentou entrar nessa faixa, acabou não aguentando. Então é preocupação para o players menores”, resume.

Cenário global

No mundo, a situação da LG era pior do que considerando o Brasil isoladamente. Se aqui a fabricante tinha 12% de participação de mercado, lá fora tinha apenas 2%. Terminou 2020 como a 10ª colocada em celulares vendidos, após cair uma posição nos rankings formulados pela IDC. Seu segundo principal mercado eram os Estados Unidos, onde terminou o ano com 9% de share.

A empresa foi perdendo espaço aos poucos para fabricantes chineses, como Xiaomi, Oppo, Vivo. Também enfrentava a Samsung, que produz celulares para praticamente todas as faixas de preço. “Mas é estranha a decisão agora, pois o portfólio lançado pela LG em 2020 era muito bom e vinha tendo bons resultados. Foi realmente uma decisão estratégica de grupo, de olho nas receitas acumuladas”, finaliza Meireles.

FONTE: TeleSíntese
Aproveito a oportunidade para renovar meus protestos de respeito e consideração aos autores da publicação original.