Fabricantes locais levarão 2 meses após fim do surto de Covid-19 para regularizar a produção

A situação de falta de componentes eletrônicos vindos para China para abastecer os estoques da indústria eletroeletrônica brasileira se agravou nas últimas semana, conforme levantamento da entidade representativa do setor, a Abinee.

De acordo com nova sondagem sobre o impacto do coronavírus Covid-19 na produção, 57% das 49 indústrias pesquisadas afirmaram enfrentar neste momento problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes do gigante asiático. Há duas semanas, 52% afirmavam ter problemas.

A situação é observada principalmente entre os fabricantes de produtos de Tecnologia da Informação (celulares, computadores, entre outros). “O momento é delicado e devemos ter diversas paralisações daqui para frente”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da entidade.

A associação afirma que 4% das indústrias pesquisadas registram algum tipo de paralisação motivada pelos impactos do surto de Covid-19, e que 15% programam parar nos próximos dias, de forma parcial.

De acordo com o site Convergência Digital, Motorola, LG e Samsung já suspenderam total ou parcialmente suas linhas de produção de celulares. Outra fabricante, a Multilaser, também estaria operando no limite, conforme O Estado de S.Paulo.

Barbato afirma porém que não há risco de falta de produtos acabados, como celulares e computadores, no mercado brasileiro. “O problema só não é mais grave porque dispomos da produção local destes produtos”, ressalta.

Metas prejudicadas

Com esse cenário, 17% das pesquisadas informaram que não devem atingir a produção prevista para o 1º trimestre deste ano. Conforme essas empresas, a produção do período deverá ficar, em média, 22% abaixo da projetada. Para metade das indústrias, no entanto, as projeções devem ser mantidas; outras 33% afirmaram que ainda não é possível dar essa indicação.

Segundo a pesquisa, as empresas devem demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China.

Na opinião de Barbato, as dificuldades atuais “acendem um sinal de alerta” não apenas para o setor eletroeletrônico, como para toda a indústria brasileira que depende de materiais e componentes provenientes de um único mercado, como a China.

“A situação expõe nosso alto índice de vulnerabilidade em relação à importação de componentes”, resume. Assim, para Barbato, o problema abre uma oportunidade para que se volte a pensar na produção local de componentes utilizados na atividade produtiva do setor.

Hoje, 42% desses itens são provenientes da China, principal origem das importações de componentes do Brasil, totalizando US$ 7,5 bilhões em 2019. Destaca-se também que os demais países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações de componentes elétricos e eletrônicos em 2019. Portanto, a região da Ásia representa 80% da origem dos componentes elétricos e eletrônicos do país.

No mundo

A projeção de retorno em dois meses à normalidade da indústria brasileira parece otimista diante do cenário internacional. Lá fora, de acordo com projeções da consultoria Canalys, a produção de computadores deverá ser normalizada apenas no terceiro trimestre, no melhor cenário – em que a epidemia estaria controlada ou superada a partir de abril. Neste cenário, a fabricação mundial de PCs cairá 10,1% no primeiro trimestre, 8,9% no segundo, crescerá 1,6% no terceiro, e 2,5% no quarto.

No pior cenário, a recuperação dos fabricantes de computadores acontece apenas no último quarto do ano, havendo queda na produção de 20,6% no primeiro trimestre, de 23,4% no segundo, e de 5,5% no terceiro. No quarto trimestre, haveria uma alta de 12,8% em função da demanda reprimida.

De qualquer forma, a Canalys acredita que em 2020 serão vendidos menos PCs do que em 2019. A produção será de 362 milhões a 382 milhões de unidades, ou seja, 8,5% inferior a 3,4% inferior que a registrada no ano passado. O retorno ao crescimento nas vendas virá apenas em 2021.

Na China, a situação é ainda mais dramática. O impacto econômico local levaria a uma retomada mais lenta que o resto do mundo. Lá, as vendas de PCs vão cair no melhor dos cenários, 3,8%, e no pior, 12,2%.

FONTE: TeleSíntese
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