Desigualdade digital deixa 47 milhões de brasileiros desconectados, aponta pesquisa

Apesar de o uso da internet ter atingido, pela primeira vez, metade da população brasileira, cerca de um um quarto dos habitantes (47 milhões) segue desconectada. Há 26 milhões de não-usuários somente na classe DE.  Cerca de 20 milhões de domicílios não possuem conexão à Internet, realidade que afeta especialmente domicílios da região Nordeste (35%) e famílias com renda de até um salário mínimo (45%).

Os dados sobre as desigualdades digitais no país são da pesquisa TIC Domicílios 2019, lançada hoje, 26 , pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Segundo a pesquisa, o celular é o principal dispositivo para acessar a internet, usado pela quase totalidade dos usuários da rede (99%). A pesquisa ainda aponta que 58% dos brasileiros acessam a rede exclusivamente pelo telefone celular, proporção que chega a 85% na classe DE. O uso exclusivo do telefone também predomina entre a população preta (65%) e parda (61%), frente a 51% da população branca.

Entre os anos de 2008 a 2019, houve um aumento significativo no número de lares brasileiros que possuem acesso à internet. De lá para cá, este número cresceu de 34% para 74%. Em contrapartida, o serviço que já é realidade para 95% dos mais ricos, entre as classes D e E este número cai para 57%. Além disso, 20 milhões de domicílios (28%), não possuem acesso à internet.

O contingente de indivíduos sem internet envolve  35 milhões de pessoas em áreas urbanas (23%) e 12 milhões em áreas rurais (47%). O aumento do uso da internet deverá aumentar bastante por conta do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, que começou a se expandir no Brasil em março. Também deve ficar mais evidentes como as famílias de menor renda serão mais afetadas, segundo o gerente  do Cetic.br, Alexandre Barbosa.

“A falta de acesso à Internet e o uso exclusivamente por celular, especialmente nas classes DE, evidenciam as desigualdades digitais presentes no país, e apresentam desafios relevantes para a efetividade das políticas públicas de enfrentamento da pandemia. A população infantil em idade escolar nas famílias vulneráveis e sem acesso à internet também é muito afetada neste período de isolamento social. A pandemia revela de forma clara as desigualdades no Brasil”, destacou.

Para coordenadora de pequisa sobre Cultura na Internet, Luciana Lima, os dados foram coletadas antes da pandemia, mas já apresentam o cenário das desigualdades digitais  que exigem a necessidade de políticas  públicas para o enfrentamento dessa crise. “No caso do auxílio emergencial, que é uma das principais iniciativas [de políticas públicas] neste sentido, a gente tem visto algumas dificuldades de implementação justamente por conta destas limitações de acesso à internet”, afirmou.

Avanços

De acordo com a pesquisa, o Brasil conta com 134 milhões de usuários de internet, o que representa 74% da população com 10 anos ou mais. Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, mais da metade da população vivendo em áreas rurais declarou ser usuária de internet, chegando a 53%, proporção inferior à verificada nas áreas urbanas (77%). No recorte por classe socioeconômica, também houve avanço no percentual de usuários das classes DE, que passou de 30% em 2015 para 57% em 2019.

Em relação ao tipo de conexão presente nos domicílios, a pesquisa revela que nos últimos quatro anos houve uma inversão nas posições de conexão por cabo ou fibra óptica, e via linha telefônica (DSL). O acesso via cabo ou fibra óptica passou de 24% (2015) para 44% (2019), mesma diferença da conexão DSL, que caiu de 26% para 6% nesse período.

De acordo com a TIC Domicílios, houve um crescimento no uso da rede pela televisão (37%), um aumento de sete pontos percentuais em relação a 2018.

No que se refere a conexão domiciliar, a Internet está presente em 71% dos domicílios brasileiros. A pesquisa constatou um aumento no número de domicílios com acesso à Internet nas classes C e DE. Nas classes DE, a proporção passou de 30% em 2015 para 50% em 2019.

Queda em computadores

Pelo quarto ano consecutivo, a pesquisa verificou uma redução da presença de computadores nos domicílios, passando de 50% em 2016 para 39% em 2019. Pelo recorte socioeconômico, enquanto 95% domicílios da classe A possuem algum tipo de computador, eles estão presentes em apenas 44% dos domicílios da classe C e 14% dos domicílios das classes DE.

FONTE: TeleSíntese
Agradecimentos aos autores originais desta publicação! Até a próxima!