Contato de mais de 700km em UHF e D-STAR mostra o valor dos modos DV

Por Alisson, PR7GA, com colaboração de Fabio Poli, PY2LY

Recentemente, o blog do colega EI7GL reportou um interessante contato na faixa de UHF de 70cm entre duas ilhas caribenhas, Porto Rico e Curaçao, distantes mais de 700 quilômetros entre si. Em 17 de abril de 2021, Brett PJ2BR em Curaçao fez contato com José WP4KJJ em Porto Rico em 432 MHz.
Mapa mostrando o trajeto do sinal entre Porto Rico e Curaçao. Créditos: EI7GL.

Como destaca o colega irlandês, embora a distância envolvida neste QSO não seja tão extraordinária para os padrões de propagação na região, o que chamou a atenção foi o modo utilizado para o contato: o modo digital voice D-STAR. Veja abaixo um vídeo gravado por Brett durante o contato:


O modo D-STAR foi desenvolvido pela ICOM em cooperação com radioamadores japoneses e é um dos diversos modos de voz digital, como o DMR, C4FM, freedv, dentre outros.

ANTENA A ANTENA


Importante destacar aos desavisados que este foi um contato em simplex.

Os modos digital voice (DV) normalmente são utilizados em contatos via repetidor digital ou por meio de um hotspot portátil, tomando como meio de transporte a internet. Porém, estes modos de forma alguma necessitam destes recursos para funcionar, e este contato em simplex, antena-a-antena, mostra bem isso!

Os modos DV infelizmente sofrem certo tipo de preconceito e são menosprezados por alguns como algo inferior. Porém, mais uma vez reforçamos, estes modos não necessitam da internet para funcionar, mas apenas a utilizam como uma facilidade a mais, complementando o modo e adicionando funcionalidades úteis que não seriam possíveis sem esta infraestrutura. 
Porém, em contatos ponto a ponto (simplex) ou entre estação – repetidor – estação, os modos digitais têm uma grande vantagem sobre os analógicos, que é a inteligibilidade do áudio, que se mantém rigorosamente constante mesmo com níveis baixíssimos de sinal. Enquanto o sinal analógico vai se degradando naturalmente à medida que o nível de sinal cai, os modos digitais mantém total inteligibilidade e clareza do áudio transmitido até determinado ponto, quando o sinal some por completo. Porém, bem antes deste ponto, o sinal analógico já teria desaparecido totalmente, restando apenas a chamada “fritura”.
No gráfico abaixo podemos ver um comparativo entre Digital Voice (4 FSK) e Analógico: A voz continua com boa qualidade em DV enquanto deixamos de escutar em analógico sob sinal muito fraco, a exemplo com -124dBm. 
 
Claro, a comodidade para bate-papos do dia a dia proporcionados por um repetidor ou um hotspot integrado à uma rede não pode ser menosprezada, mesmo porque um repetidor também não depende da internet pra funcionar. Em situações de emergência, aonde há cobertura de um repetidor, a capacidade de interconectar o centro de comando de operações e as equipes de resgate que os modos de voz digital proporcionam já mostrou seu valor inestimável.
Porém, convidamos os colegas que têm rádios equipados com os diversos modos de voz digital existentes a tentarem ir além, saindo da zona de conforto. Os colegas caribenhos mostrados no início deste texto certamente terão uma excelente história para contar, proporcionada pela propagação e pelo desejo de experimentar, que culminou com este extraordinário contato.
Viva o radioamadorismo! Inclusive o radioamadorismo digital!
Em seguida, mais alguns gráficos explicativos sobre os sistemas mais utilizados em Digital Voice.
Exemplo de áudio em 2 FSK do D-STAR. 


Exemplo de áudio robusto em 4 FSK utilizado por tecnologias mais novas tipo DMR ou Fusion. Ambos utilizam a plataforma de um rádio analógico em FM, diferenciando nas interfaces complementares para funcionar em 2FSK ou 4FSK.

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FONTE: Blog QTC da ECRA
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