Aumenta o impacto do coronavírus na produção eletrônica brasileira

Após indicar no começo de fevereiro que a epidemia de coronavírus iniciada na China estava causando desabastecimento de componentes na indústria eletroeletrônica brasileira (em especial na área eletrônica), uma segunda sondagem realizada pelo setor revelou um impacto ainda maior que o constatado no começo do mês.

Segundo revelou nesta sexta, 21, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 57% das empresas da área já apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China. A marca é maior em cinco pontos percentuais que a primeira verificada pela entidade.

A situação é observada principalmente entre os fabricantes de produtos de tecnologia da informação (celulares, computadores, entre outros). “O momento é delicado e devemos ter diversas paralisações daqui para frente. O problema só não é mais grave porque dispomos da produção local desses produtos”, afirmou o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.

Segundo a associação, 4% das pesquisadas já operam com paralisação parcial em suas fábricas. Outras 15% programaram paradas para os próximos dias, sendo a maior parte delas de caráter parcial. Já 54% da cadeia ainda não têm previsão de parar atividades: a decisão dependerá de quanto tempo persistirem os problemas no abastecimento.

Estima-se que as empresas devam demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China. A Abinee ouviu 50 players diferentes da indústria na sondagem.

Impacto no trimestre

Com o cenário, 17% das pesquisadas já informaram que não devem atingir a produção prevista para o primeiro trimestre deste ano, com produção em média 22% abaixo da projetada. Para metade das empresas, no entanto, as projeções devem ser mantidas; outras 33% afirmaram que ainda não é possível dar tal indicação.

Na indústria eletroeletrônica, 42% dos itens importados são provenientes da China, totalizando US$ 7,5 bilhões em compras em 2019. Outros países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações de componentes no período, levando para 80% a relevância do continente na cadeia de fornecimento do setor.

Vulnerabilidade

“A situação expõe nosso alto índice de vulnerabilidade em relação à importação de componentes”, observou Humberto Barbato. Para ele, o problema abre uma oportunidade para que se volte a pensar na produção local de componentes utilizados na atividade produtiva do setor.

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Com a aprovação do edital do leilão de 5G no conselho diretor da Anatel, a Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abrint) agora quer tentar salvaguardar os interesses dos ISPs. Apesar de ainda não ter submetido uma proposta de alterações à consulta pública do edital, aberta nesta semana, a entidade já estuda focar em duas questões: mais granularidade para os blocos e, especialmente, garantias de uso secundário de espectro, que permitem a operação provisória. 

Segundo contou a este noticiário o diretor da Abrint, Basílio Perez, da forma em que está proposto, o leilão não vai ter uma participação em massa dos pequenos. Ele diz que, na prática, a consulta pública dificilmente fará alguma mudança radical no que já foi previsto pela área técnica da Anatel. Por isso mesmo, ele não se mostra otimista a respeito de uma alteração para aumentar a granularidade dos blocos, como era proposto pelo conselheiro Vicente Aquino. “Por isso vamos insistir [na proposta de blocos menores], mas sabendo que precisa acontecer um ou outro fato político dentro da Anatel para isso acontecer”, diz.

Uso secundário

Dessa forma, a entidade buscará bater forte no uso provisório com garantias. Conforme explica o representante da Abrint, o modelo se baseia na permissão aos provedores regionais a oportunidade de usar temporariamente o espectro em regiões nas quais os grandes grupos ainda não pretendem iniciar operações. A associação quer dar maior previsibilidade para o planejamento e até mesmo avaliar se o retorno sobre investimento se daria em tempo hábil e valeria a pena. Assim, a proposta dos ISPs é que se coloque uma garantia de tempo mínimo até que o detentor da frequência possa obtê-la de volta para uso nessa localidade. 

“Hoje, com a legislação atual, você investe no local em uma frequência secundária, e aí passa o tempo e o detentor do espectro percebe que tem rentabilidade. Aí ele chega e estraga o nosso negócio, não nos dá tempo de recuperar o investimento”, afirma Basílio Perez. As regras atuais também preveem um prazo para os donos da faixa responderem quando pretendem utilizá-las, mas não haveria as salvaguardas que os ISPs demandam. 

“Existe obrigação de fazer ajuste com quem está usando e é dono fa frequência, mas é ajuste de grandão com o pequeno. O que deveria ter é um prazo para usar por 10 anos, por exemplo, e depois teria que sair. Nesses 10 anos, você não mudaria o plano de negócios para ter o retorno necessário. E caso a detentora queira utilizar antes, ela teria que indenizar o que você gastou”, diz. Mas ressalta depois que o prazo de 10 anos foi apenas um exemplo, e que poderia ser menos. “O importante é ter um prazo para podermos nos programar e fazer plano de negócios.”

Perez diz que a proposta da Abrint tem sido objeto de conversas com conselheiros e área técnica da agência e que é bem recebida. “A gente percebeu que eles entendem isso e estariam dispostos a viabilizar de alguma maneira.”

Mercado secundário

O uso secundário de espectro é diferente do mercado secundário, agora possível graças ao novo marco legal das telecomunicações, a Lei nº 13.879/2019. Dita pelo conselho da agência como uma solução à demanda por granularidade dos ISPs, o modelo é também considerado por Perez. “Se houver espaço para provedores participarem com qualquer uma das opções, seja com mercado ou uso secundário ou granularidade no leilão, a gente acha que vai ter nichos de mercado nos quais o 5G vai atender regiões que demoraria anos para chegar [somente com as grandes operadoras]”, explica. “Seria o reflexo do que acontece hoje na fibra, os provedores são 60% da fibra no Brasil. Acho que seria bom para o mercado, principalmente em termos de inclusão de tecnologia em locais mais distantes”, avalia.

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https://teletime.com.br/21/02/2020/abrint-propoe-garantias-para-isps-no-uso-secundario-de-espectro-5g/feed/ 0

FONTE: TELETIME NEWS
Por mais esta excelente publicação, agradecemos.