As diferenças entre os releases 15 e 16 da 5G

A possível inclusão no edital do leilão 5G de regras exigindo que as redes se enquadrem nas especificidades do “release 16” da 3GPP levantou uma série de dúvidas sobre o quanto isso limita, ou não, os investimentos das operadoras. O temor é que o texto traga requisitos que obriguem as teles a montar redes standalone, de 5G puro, sem reaproveitar a infraestrutura 4G que já possuem.

Como a cláusula está redigida ainda é uma incógnita, que deve ser desvelada na segunda-feira, 1º, durante a reunião extraordinária do conselho da Anatel. Para a indústria, porém, se a menção for apenas ao release 16, sem mais detalhes, não significa que as operadoras serão obrigadas a começar o 5G do zero nas novas frequências.

Isso porque a cada novo release, a 3GPP, entidade internacional de padronização da tecnologia móvel, acrescenta recursos à tecnologia, sem necessariamente retirar o que havia nas versões anteriores do padrão. Em suma, cada release prevê novos recursos, mantendo-se os anteriores.

“O release 15 já especificava como devem ser redes standalone e non-standalone, e o release 16 também”, ressalta uma fonte de um grande fornecedor de equipamentos de rede.

Release 15 vs. release 16

Com foco no aumento da capacidade da rede celular (eMBB), o release 15 definiu o 5G standalone, trazendo as especificações para um núcleo totalmente autônomo das redes anteriores LTE. No entanto, esse conjunto de especificações não descartou o uso do 4G como parte de redes 5G. Pelo contrário. Constam da versão justamente uma série de melhorias da tecnologia LTE para as redes non-standalone, uma vez que a indústria espera a convivência por anos de ambas as redes.

O release 15 também introduziu a internet das coisas massiva, ampliando em milhares de vezes a capacidade de conexão com objetos das estações radiobase móveis. Já trazia fundamentos da conectividade de carros via rede celular e ferramentas de interoperabilidade de sistemas de missão crítica novos e legados.

O release 16, por sua vez, traz melhorias incrementais ao standalone. O foco recai sobre a definição de requisitos de funcionamento de conexões máquina-a-máquina massivas (mMTC) e conexões super confiáveis (URLLC). Traz ainda incrementos ao V2X, interoperabilidade do IoT móvel com WiFi, uso de espectro não licenciado para rede celular, além de aperfeiçoamentos de eficiência, como redução de consumo de energia. Esses recursos não dependem de uma rede standalone, conforme fonte da indústria, para funcionar.

FONTE: TeleSíntese
Agradecimentos aos autores originais desta publicação! Até a próxima!