Anatel debate tecnologia que vasculha origem da chamada

Cláudio Trigueiro, gerente sênior e especialista em planejamento de redes da Tim Celular - foto: reprodução
Cláudio Trigueiro, gerente sênior e especialista em planejamento de redes da Tim Celular – foto: reprodução

Stir Shaken é uma tecnologia que permite que nas redes de suporte para os serviços de telefonia se verifique a autenticidade do identificador da chamada, o que pode contribuir para evitar ações fraudulentas como o spoofing. O procedimento foi tema de evento virtual promovido nesta quinta, 16, pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O painel teve a participação de Carlos Pinto, diretor comercial da Cleartech e conselheiro da Telebrasil; Cláudio Trigueiro, gerente sênior e especialista em planejamento de redes da Tim Celular; e Daniel Fuchs, diretor de inovação da Arquia Datora e conselheiro da Labcom,

Já em uso em outros países, a estrutura Stir Shaken consiste em dois componentes de alto nível: um processo técnico de autenticação e verificação das informações de identificação de chamadas; e um processo de governança de certificado que mantém a confiança nas informações de autenticação de identificador da chamada na terminação do tráfego.

Iniciativa internacional sobre a questão aconteceu em 2019, quando a FCC (Federal Communications Commission) autorizou operadoras a bloquear chamadas feitas por robôs sem consentimento prévio dos destinatários.

Números

Carlos Pinto abriu a apresentação mostrando números. Disse que em março de 2019 ocorreram 5,23 bilhões de robocalls no mundo, maior volume já visto; e que 70% dos consumidores não atendem a ligação se não reconhecerem ou se o número do chamador for anônimo.

Depois, contou que o Brasil lidera o top 20 de países mais afetados por ligações indesejadas. Nesse sentido, Daniel Fuchs afirmou que o país deve continuar nessa liderança, pois há problemas para implementação da tecnologia Stir Shaken aqui.

Ele destaca quatro problemas principais: a lei dos 3 segundos, o “trombone” (telemarketing feito no “exterior”), equipamentos e softwares obsoletos e a padronização internacional do formato da numeração.

“Temos os 3 segundos que não são cobrados. Então alguém programa 100 chamadas, mesmo tendo 10 posições de atendimento. Sabe que uma parte não vai ser atendida. Das 100 chamadas, digamos que 20 iriam atender. Mas quando o usuário atende, tem 10 atendentes, então as outras 10 são desligadas”, falou Fuchs.

Oportunidade e satisfação

É a questão em que Cláudio Trigueiro falou sobre a oportunidade para empresas e satisfação do usuário.

“A tecnologia será útil no momento em que o usuário conseguir identificar de quem vem a chamada. Se há um serviço que as empresas forneçam em que ele saiba de quem é a chamada, vai gostar. É a credibilidade que hoje ele não tem. Essa é uma das grandes vantagens do Stir / Shaken. Facilita a monetização quando as empresas começam a ver o resultado”, disse o executivo da Tim.

“Mas tem que identificar quando é um robô que liga, e esse é um desafio”, completou.

Fuchs inseriu no debate um ponto que considera muito relevante. “Pela regulação atual, o usuário está arriscando seu direito ao poupar sua identidade. Não sou a favor de esconder, mas está na regulamentação. Afeta toda a credibilidade do sistema. O ideal seria mostrarmos ao usuário que é alguém confiável que está ligando”, acrescentou.

FONTE: TeleSíntese
Meu agradecimento pelas excelentes publicações!