Claro lança serviço para reduzir latência em jogos na banda larga fixa

Com edge computing para otimizar as rotas, a Claro lançou nesta quarta-feira, 14, um novo serviço de valor adicionado (SVA) voltado para clientes gamers da banda larga fixa. O Claro Gaming promete entregar uma conexão com menor latência para jogos online, além de trazer medidas para melhorar a qualidade da rede doméstica, atendimento personalizado ao cliente, zero-rating para clientes móveis e benefícios como jogos e serviços. Para tanto, a tele investe em acordos de peering para conexão direta e na parceria com a NoPing, uma empresa nacional especializada em busca de melhores rotas com servidores para reduzir a latência.

O serviço já pode ser adquirido por R$ 40 adicionais (como SVA) para quem já tem banda larga fixa da Claro, ou também com preços promocionais para quem é novo cliente. Caso também tenha o serviço móvel, a companhia oferece benefícios como zero-rating (contabilizado da franquia Extraplay) para os serviços de streaming do Facebook Gaming e YouTube.

A operadora pretende utilizar sua infraestrutura de 212 mil km de cabos óticos, 18 mil km de cabos submarinos, cinco data centers e nove satélites para entregar a conectividade. Na parte móvel, ainda conta com 19 mil estações radiobase com tecnologia de LTE-Advanced Pro (chamada comercialmente pela empresa de 4,5G). Entretanto, para reduzir o tempo de resposta com servidores que hospedam as partidas online, a empresa estabeleceu mais de 20 Tbps de acordos de peering para conexões diretas com players do ecossistema, como Google, Twitch e Facebook (para as transmissões de partidas); e Valve, Riot Games e Microsoft (para os servidores).

Além disso, há o serviço da NoPing, que escolhe as melhores rotas. O diretor de marketing da operadora, Márcio Carvalho, explica que a empresa parceira funciona como uma espécie de rede de distribuição de conteúdo (CDN) para jogos, levando o poder computacional até as pontas (edge computing). “Para se ter mais performance e capacidade de tráfego, além da conexão direta, tem a CDN, levando armazenamento mais próximo ao usuário”, diz. “O NoPing já é um serviço de edge neste conceito, ele viabiliza como CDN no peer mais perto do usuário, da mesma forma que uma CDN de vídeo”.

Assim, empresa busca as melhores rotas para reduzir o caminho até os servidores das partidas online, e isso reduz a latência. “Não tem nada a ver com traffic shaping, a gente nem pode fazer isso”, assegura o executivo. “A ideia do ponto de vista de rede é trazer as empresas que podem nos ajudar, e a NoPing está aqui com a gente e faz parte do ecossistema”, complementa o diretor de produto da Claro, Alfredo Souza. Ele explica que há um trabalho dedicado de engenharia, uma ação com a rede para ter o conhecimento da topologia.

Fibra

Essa “conexão otimizada com menos ping” envolve também a ultra banda larga da Claro fixa (antiga Net), tanto em cabo coaxial quanto já na rede de fibra até a residência (FTTH). Márcio Carvalho explica que, mesmo no HFC, a tecnologia DOCSIS 3.1 já endereça as mesmas velocidades de até 500 Mbps, mas reconhece que a rede de fibra até o nó tem chegado cada vez mais perto da casa do usuário.

“À medida em vai aumentando a penetração de banda larga e do serviço on-demand do Now, a gente vai lá e vai diminuindo [a distância dos] node, e a fibra vai chegando cada vez mais perto da casa das pessoas, até o limite em que vamos chegar já com a fibra”, declara. Nos lugares onde a Claro está entrando agora, a empresa já investe direto em FTTH. “Está valendo mais a pena lançar fibra fim a fim do que fazer topologia com cabo coaxial.” A empresa já adicionou 50 novas cidades neste ano,

O serviço em si está disponível em todos os lugares onde a companhia tem cobertura do serviço fixo. Por isso, o novo produto oferece ainda, em parceria com a fabricante TP-Link, roteador Wi-Fi com frequência dupla (2,4 GHz e 5 GHz), além de extensão de sinal. A instalação também procura levar a conexão por cabo até o console ou PC do usuário, para garantir menor latência e maior estabilidade.

O atendimento especializado é feito por uma empresa terceirizada, a Mutante, sediada no bairro do Itaim, em São Paulo. Além de serem capacitados com os detalhes técnicos das conexões, os atendentes são necessariamente jogadores também.

Futuro

Além da parceria com a Microsoft e a Valve, a Claro afirma estar buscando envolver outras empresas no ecossistema. Segundo Carvalho, a empresa tem interesse em estender a iniciativa com a Sony para incluir os consoles PlayStation, mas ainda não há definição a respeito disso.

Outra proposta é a de inserir a operadora no futuro mercado de cloud gaming. O executivo destaca que há, de fato, um interesse para a empresa, mas como os serviços prometidos pela Microsoft e Google ainda sequer tiveram lançamento comercial, não existe uma previsão de quando isso poderia ser trazido ao Brasil. “O fenômeno do cloud com o streaming permite o serviço ser multiplataforma. Isso vai acontecer, mas precisará de muita banda e também da latência – não queremos criar uma comunidade com jogo multiplayer [com experiência ruim]”, afirma o executivo de clientes globais da Microsoft, Héctor Saldaña. A gigante norte-americana tem atualmente 75 milhões de usuários de games no Brasil, incluindo plataformas de PC e de Xbox. Márcio Carvalho também cita a ferramenta de cloud gaming da Microsoft, e adiciona que o 5G poderá proporcionar as condições de conexão necessárias. “Tem muita coisa por vir, este é o início”, diz.

A iniciativa levou 14 meses para ser desenvolvida na Claro em conjunto com o parceiro de transmissão de e-sports, a BBL. A ideia é explorar um mercado que, somente no Brasil, faturou US$ 1,5 bilhão em 2018, após crescimento de 13% na comparação com o ano anterior.

FONTE: TELETIME NEWS
Mais uma vez, agradecemos aos autores originais desta publicação.